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A história do nosso time se inicia em 2003. Um grupo de amigos admiradores do Futebol Americano através da televisão e internet, levantam da cadeira e decidem levar uma bola oval para o parque Barigüi para fazer alguns passes num sábado a tarde. Escolhemos um gramado pequeno e irregular, mas estava mais do que bom para o que pretendíamos. A diversão virou uma rotina, e ao passar do tempo mais e mais amigos e interessados foram chegando. Entre uma piada e outra, surge a lembrança do mascote do lugar, o lendário jacaré do Parque. Pronto, já tínhamos um nome: Barigüi Crocodiles. Os treinos começaram a definir posições, preferências e algumas jogadas começaram a sair. Equipados apenas com a roupa do corpo o que não faltavam eram hematomas, dedos quebrados, olhos roxos e camisetas rasgadas. Mas no final das tardes de sábado, não havia sentimento melhor do que chegar em casa cansado e machucado, e tomar o merecido banho, satisfeito por ter descoberto que não há coisa melhor do que praticar o melhor esporte que existe. Dedicimos partir para os jogos. O começo foi difícil. Poucos jogadores, poucos quilos e poucos pontos. Mas certas características nunca faltaram: coragem e palavra. Jogamos contra times mais numerosos, mais experientes, mas sempre estavamos lá na hora do kickoff . Não fugimos do combate por medo da derrota. Muito levado pela amizade que construímos dentro da equipe, que nos faz nunca deixar um amigo na mão. Interesse em conhecer o football, muitos têm. Curiosidade que leva a querer participar de alguns treinos, também. Mas poucos são os que têm a persistência, quem sabe até teimosia, de durante anos comparecer em treinos todo bendito sábado, abaixo de chuva ou sol, deixando de lado namorada, família, time de futebol, etc, na esperança de que aquilo teria futuro um dia. Ainda mais num país onde o esporte é desconhecido como o nosso. Eram (e ainda são) comuns os comentários do tipo: “Isto é jogo pra louco.” “Você vai se machucar sério” , entre outros. Mas para quem ama o jogo, aquilo era conversa furada e motivação nunca faltava. Coitados são os que vão morrer sem nunca ter sentido a adrenalina da hora de um snap. Com a ajuda dos e-mails lidos nas transmissões dos jogos pela TV, nossa equipe foi se tornando mais popular e os integrantes começaram a aumentar. Fizemos nosso primeiro uniforme, negro como as camisetas usadas no nosso primeiro jogo. Pessoas dedicadas dentro e fora de campo ingressaram na equipe com o interesse de ajudar em primeiro lugar. O pequeno gramado irregular já não era mais suficiente, era preciso um lugar maior. Mudamos de lugar no parque e os treinos começaram a ser mais sérios. Ganhamos os primeiros jogos. Mas ainda faltava alguma coisa. O jogo não era o mesmo que víamos na TV. O sonho de jogar com equipamentos começava a sair do papel e se tornar realidade. Full pads. Confirmamos a compra e agora só restava esperar a chegada. Maldito navio, demorou mais que uma gestação mas finalmente os bebês chegaram. Lembro como se fosse hoje da noite em que fomos buscar os equipamentos. Aquela fila de capacetes pretos, brilhando, posicionados lado a lado e logo ao lado uma pilha de shoulder pads. Não sei o que foi maior, se o sorriso ou a vontade de vestir aquilo naquela hora mesmo e sair dando trombadas por aí. Desde então o esporte só cresceu no Brasil e nosso time seguiu o ritmo. Após meses de treino para se acostumar com o novo jogo com equipamentos e assim evitar lesões sérias, fizemos história ao realizar o primeiro jogo full pads do Brasil. Duas mil pessoas assistindo. Aparecemos em jornais e na TV e nosso nome ficava cada vez mais falado no football brasileiro. Neste ano de 2009, disputamos o Pantanal Bowl III. Evento classe A em organização, o campo mais bonito já montado no Brasil, fazendo nos sentir em algum Friday Night Lights nos EUA. Jogos e vitórias memoráveis que com certeza não sairão das nossas mentes jamais. Sem falar da união criada entre nós. O clima de vestiário, o huddle, o grito de guerra, o apoio na derrota e a comemoração da vitória, lesões, sacrifício, raça são sentimentos para poucos que têm o privilégio de de jogar futebol americano, um esporte que não é para qualquer um. Temos que aproveitar esta oportunidade que o destino nos reservou. O Torneio Touchdown é mais uma delas. A recompensa pelos anos de persistência parece estar dando as caras. Mas ainda não chegamos a nossa meta que é o topo e a caminhada é longa. Desafios novos? Muito prazer, Barigüi Crocodiles. Pode mandar vir. |


